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Consciente e Inconsciente: As contribuições da psicologia

Aprenda as contribuições da psicologia para a filosofia com os conceitos de Consciente e Inconsciente de Freud e Jung. Com exercícios de Fixação.

Nesta postagem teremos:

  • Consciência
  • Inconsciência
  • As teorias de Freud
  • As teorias de Jung
  • Psicanálise
  • Inconsciente coletivo
  • Teoria dos Arquétipos
  • Exercícios

Consciente e Inconsciente: As contribuições da psicologia 

Para compreender a consciência, seus vínculos com a totalidade de nossas vivências e suas possibilidades de expansão, é igualmente importante entender outros fenômenos que, embora ocorram no interior de cada um de nós, escapam à nossa consciência. Esses fenômenos podem, no entanto, influir na maneira como percebemos as coisas e em nossas condutas.

Você nunca sentiu que, às vezes, sua mente parece esconder uma parte de seu ser da outra parte de seu ser? É o que ocorre, por exemplo, quando de repente você se recorda de algo que lhe aconteceu na infância e havia ficado esquecido durante todo esse tempo. Ou quando você chora sem saber por que, diz alguma coisa sem querer ou faz algo que não sabe justificar.

Pois bem, foi a partir da observação dessas e de outras condutas “estranhas” que se formularam algumas concepções importantes para a compreensão da mente e do ser humano e que marcaram profundamente a cultura ocidental contemporânea. Referimo-nos aos trabalhos de dois pilares na área dos estudos da mente e da alma humana: Freud e Jung.

Freud: inconsciente pessoal

Retrato de Freud, que nasceu no seio de uma família judia e viveu a maior parte de sua vida na cidade austríaca de Viena – à época um dos principais e mais efervescentes centros culturais do mundo. Em 1938, porém, com a invasão nazista, foi obrigado a mudar-se para Londres, onde faleceu no ano seguinte. Sua obra teve enorme impacto nas ciências humanas, na filosofia, na literatura e nas artes, tornando-o uma das figuras mais influentes do pensamento contemporâneo.

Na passagem do século XIX para o século XX, o médico neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) concebeu uma teoria da mente que revolucionou a história do pensamento, em vários sentidos, e criou a psicanálise.

■ Psicanálise

A psicanálise é uma disciplina que consiste, basicamente, de uma teoria da mente e da conduta humana vinculada a uma técnica terapêutica para ajudar as pessoas que apresentam problemas psicológicos ou psiquiátricos. Caracteriza-se pela interpretação, por um terapeuta (psicanalista), dos conteúdos inconscientes encontrados em palavras, sonhos e fantasias do paciente. Para tanto, utiliza-se do método de associação livre, em que o paciente expressa o que lhe vier à mente, falando e associando as palavras e ideias livremente, sem crítica ou preocupação de ser coerente.

■ Inconsciente e sexualidade

Para começar, Freud rejeitava a identificação entre consciência e psiquismo (isto é, o conjunto dos processos psicológicos), algo bastante comum. A maioria das pessoas tende a pensar que não existe nada mais em suas mentes além daquilo que sabe, seus pensamentos, imagens e recordações. Ou seja, tendemos a acreditar, no fundo, que consciência e mente são a mesma coisa e que a mente pode conhecer tudo se empreender o trabalho devido para tal.

Freud afirmou, no entanto, que a maior parte de nossas vidas psíquicas é dominada pelo que chamou de inconsciente. A outra parte, o consciente, seria bastante reduzida e, em grande medida, determinada pela primeira. Assim, o inconsciente não seria a simples negação abstrata da consciência, uma espécie de “nada”, e sim uma parte integrante de nossa personalidade, bastante ativa e determinante, na qual “coisas” existem e acontecem sem que as percebamos.

As novidades lançadas por Freud não pararam por aí. Para ele, a sexualidade (a chamada libido) constituiria o elemento fundamental do inconsciente, bem como de toda a dinâmica da vida psíquica. Essa teoria escandalizou a sociedade de seu tempo, principalmente por enfatizar a existência de atividade sexual nas crianças, bem como a importância que vivências e traumas sexuais infantis teriam na determinação do comportamento das pessoas durante toda a vida adulta. Para Freud, esses traumas estariam vinculados a uma
etapa do desenvolvimento infantil em que as crianças se sentiriam atraídas pelo progenitor de sexo oposto – conceito que ficou conhecido como complexo de Édipo.Homem tentando capturar serpentes em um cesto na imagem acima – Carlos Pertuis, óleo sobre papel.

Freud observou que o inconsciente se manifesta em nossas vidas de forma simbólica, como ocorre nos sonhos e na arte. O símbolo principal dessa imagem, por exemplo, é a serpente. Na linguagem psicológica, esse réptil remete a processos inconscientes de mudanças ou de situações inesperadas e assustadoras – geradoras de angústia. Como analisou a psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999), o indivíduo da pintura parece estar conseguindo domar algumas das serpentes que o ameaçavam (elas se dirigem para dentro do cesto), mas ainda há uma que se lança como uma flecha sobre ele.

■ Aparelho psíquico

De acordo com a teoria freudiana, o aparelho psíquico humano estaria estruturado em três instâncias ou esferas: id, superego e ego.

O id é a instância mais antiga do inconsciente e da psique de um indivíduo. Está presente desde seu nascimento. Nele dominam as pulsões, isto é, os impulsos corporais e os desejos inconscientes mais primitivos e instintivos, basicamente relacionados com a libido.

Regido pelo princípio do prazer, o id empurra o indivíduo a buscar aquilo que lhe traz satisfação e a negar o que lhe traz insatisfação, desconhecendo as demandas da realidade e das normas sociais. Atua de maneira ilógica e contraditória e tem nos sonhos seu principal meio de expressão. Apesar disso, o id seria o motor oculto do pensamento e da conduta humana.

O superego é outra instância do inconsciente, mas esta se forma no processo de socialização da criança, principalmente a partir da interação com os pais e dos “nãos” que ela recebe, explícita ou implicitamente, durante toda a sua infância: “Isso não pode”, “Isso é feio”, e assim por diante. Esse conjunto de regras de conduta que a criança absorve de seu meio social vai constituindo um núcleo de forças inconscientes (o superego), que reprime os impulsos inaceitáveis do id. Portanto, o superego tem o “papel” de censurar e controlar nossos impulsos instintivos. Ele se expressa em nossa consciência moral e relaciona-se com nosso eu ideal (ou ego ideal).

O ego, por sua vez, é a instância consciente e pré-consciente (potencialmente consciente) do aparelho psíquico. Ele interage com o mundo externo, ao mesmo tempo em que recebe as pressões das duas esferas inconscientes (o id e o superego). É regido pelo princípio da realidade, ligado às condições e exigências do mundo concreto. Assim, o ego precisa lidar não apenas com as dificuldades da vida cotidiana, mas também resolver de maneira realista os conflitos entre seus desejos internos (as necessidades de prazer imediato do id) e seu senso moral (o superego).

Freud também observou que, quando não consegue enfrentar diretamente essas demandas conflitantes, o ego costuma empregar diversos mecanismos de defesa, pelos quais os conteúdos censurados pelo superego são reprimidos (recalcados), mas acabam expressando-se de forma indireta na vida da pessoa (como em atos falhos, sonhos e projeções).

Jung: inconsciente coletivo

O médico psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) foi, durante algum tempo, colaborador de Freud e admirador de suas teorias. Mas os dois discordavam sobre diversas questões. Freud opunha-se, por exemplo, ao interesse de Jung pelas religiões, enquanto este discordava da importância que seu colega dava ao impulso sexual e aos traumas ligados à repressão na infância. As divergências levaram a um rompimento entre eles, e Jung desenvolveu sua própria linha de pensamento, conhecida como psicologia analítica.

Retrato de Carl Gustav Jung, que investigou as relações possíveis entre a psique e as manifestações culturais, integrando à psicologia elementos vindos de diversas áreas, como a antropologia, a arte, a mitologia e a religião.

Para Jung, a vida psíquica envolveria muitos outros elementos, e seria um reducionismo interpretar a maioria de seus eventos como manifestações de caráter sexual. Embora a libido seja também importante na teoria junguiana, ela é entendida como uma energia vital mais ampla e neutra, vinculada não apenas ao sexo, no sentido estrito da palavra (cf. SAMUELS e outros, Dicionário crítico de análise junguiana, verbete “energia”).

Ato falho – ação de dizer ou fazer algo por engano, sem intenção, mas que seria, na verdade, a expressão de
algum pensamento, juízo ou desejo reprimido.

Projeção – ação pela qual um indivíduo projeta em outra pessoa algo que ele não aceita e reprime em si mesmo, de forma inconsciente, mas que lhe pertence, como sentimentos, pensamentos ou desejos.

Reducionismo – tendência a reduzir as explicações sobre fenômenos complexos a seus termos mais simples, tidos como mais fundamentais ou banais; geralmente se refere ao reducionismo materialista-mecanicista (tudo é reduzido à matéria e às leis físico–químicas).

Psicologia analítica

A psicologia analítica seria, para Jung, uma evolução da psicanálise, por abranger tanto o método psicanalítico de Freud como a psicologia individual de Adler, além de outras tendências.

Diferenciava-se, porém, da psicanálise – entre outros aspectos – por valorizar a análise e interpretação do presente do indivíduo e sua intencionalidade (ou seja, o futuro para o qual aponta esse presente, suas potencialidades).

Por isso, é considerada por alguns estudiosos como uma visão mais otimista do inconsciente, pois este não estaria tão condicionado pelo passado, como em Freud, e sim mais aberto à criatividade em sua interação com as circunstâncias existenciais de cada indivíduo e sua simbologia.

■ Teoria dos arquétipos

Jung também ampliou o conceito freudiano de inconsciente. Isso se deu a partir da observação, nos sonhos relatados por seus pacientes (e em seus próprios sonhos), da presença de diversas imagens “estranhas”, que não podiam ser associadas a nenhuma de suas experiências individuais, biográficas. Paralelamente, estudando as culturas dos povos antigos da Ásia, da África e da América pré-colombiana – especialmente o simbolismo de
suas mitologias –, o psiquiatra percebeu que havia uma série de imagens que se repetiam nas mais variadas expressões culturais do planeta e coincidiam com as dos sonhos de seus pacientes.

escultura em mármore representando a serpente Glycon da civilização romana (século II) (Archäologisches Landesmuseum, Constance, Alemanha).
escultura em pedra com representação de Xiuhcoatl, a serpente de fogo dos astecas (1300-1521) (Museu Nacional de Antropologia, Cidade do México, México)

Imagens de serpentes estão presentes nas mais diversas culturas, mitologias e épocas, além de serem frequentes nos sonhos de pessoas, mesmo daquelas que nunca tiveram contato com qualquer tipo de cobra.

Jung concluiu que se tratava de imagens primordiais. Segundo ele, essas imagens primordiais constituem os pensamentos (e sentimentos) mais antigos, gerais e profundos da humanidade, possuindo vida própria e independente. Teriam, portanto, um caráter impessoal e universal.

  • Primordial – relativo aos primórdios, isto é, às origens, à fase de surgimento ou de criação de algo; mais antigo, primeiro, original.

Formulou, então, a tese de que existe uma linguagem comum a todos os seres humanos de todos os tempos e lugares da Terra. Ela está formada por essas imagens ou conteúdos simbólicos muito primitivos – chamados arquétipos, na teoria junguiana –, que refletem algo como a “história evolutiva” de nossa espécie. Vividos de maneira não consciente por todas as pessoas, os arquétipos formam, segundo Jung, o estrato (ou camada) mais profundo da psique humana – o chamado inconsciente coletivo (pertencente a toda a humanidade).

O inconsciente coletivo seria, portanto, um conjunto universal de predisposições para perceber, pensar e agir de determinadas maneiras, mas que também sustenta a ação criativa, pois, segundo Jung, constituiria a base sobre a qual se assentam os grandes pensamentos e obras-primas da humanidade.

■ Principais arquétipos

Jung descreveu uma série de arquétipos. Entre eles estão aquelas imagens que se condensam em torno de experiências tão básicas e universais como o nascimento, a morte, a criança, a mãe, o velho sábio, o herói e Deus.

Há outras, porém, que refletem a estrutura da própria psique, como a persona (a “máscara” que usamos para enfrentar o mundo e conviver com a comunidade, incorporando suas expectativas), a sombra (aquilo que não temos desejo de ser), a anima (a imagem de mulher contida na psique de um homem) e o animus (a imagem de homem contida na psique de uma mulher).

Mas o arquétipo mais importante na teoria junguiana é o do self (o “si mesmo”). Corresponde à imagem primordial da totalidade do ser, isto é, a essência  de uma pessoa em conexão com uma dimensão maior. Transcendendo a consciência e a dimensão individuais, o self conectaria a pessoa à família, à coletividade, ao planeta e ao cosmos. Desse modo, o self é o arquétipo da “sabedoria” de um ser ou organismo, no sentido de representar a intencionalidade, o propósito ou o sentido de sua existência.

Exercícios para Fixação do que foi estudado

Mural que representa a roda da vida, da tradição mahayana do budismo tibetano (Kopan monastery, Bhaktapur, Nepal, Ásia). Seu conjunto forma um mandala. Com uma grande variedade de desenhos, os mandalas são representações figurativas e/ou geométricas organizadas de modo a formar uma imagem concêntrica ou circular (que é o significado da palavra sânscrita mandala). Na simbologia das formas, o círculo pode significar perfeição, unidade e plenitude

1 – Observe o desenho da mandala acima.

  • Que elementos simbólicos ou figurativos você consegue encontrar?
  • Quais deles você identificaria como um arquétipo?

2 – Além de ter de lidar com as dificuldades do mundo, o ego vive pressionado pelo id e pelo superego. Interprete essa afirmação.

3 – O que são os mecanismos de defesa, segundo a teoria freudiana? Procure exemplos de sua experiência.

4 – O que são os arquétipos e como Jung chegou à conclusão de sua existência?

5 – Explique o conceito de inconsciente coletivo.

6 – “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses” (frase inscrita no Oráculo de Delfos, situado no templo dedicado ao deus Apolo, na Grécia).

Reflita sobre essa frase, relacionado-a com o inconsciente e as teorias de Freud e Jung. Depois, reúna-se com colegas para apresentar-lhes suas considerações, escutar as reflexões deles e debater sobre os diferentes pontos de vista.

Fonte: Livro Fundamentos da Filosofia.

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